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sábado, 22 de julho de 2017

Queria chamar-te


 catrin welz-stein

Queria chamar-te saudade
mas o eco não cabe no meu peito
Queria chamar-te sonho
mas morre no despertar de cada aurora
Queria chamar-te alegria
mas foge em cada assomar do dia
Queria chamar-te tristeza
mas morre na memória do teu sorriso
Queria chamar-te calor
mas foge-me em tuas mãos tão frias
Queria pronunciar o teu nome
mas habitas o espaço que me foge
Queria chamar-te luz
mas escondes-te nas portas da noite
Queria chamar-te adolescência
mas esfuma-se com o desejo
Queria chamar-te fogo
mas apagou-se com a neve.

Chamas -me miragem
mas ruiu com os sulcos da viagem

Volto a chamar-te saudade.

É isso com deparo
em cada paragem.



Manuela Barroso





domingo, 2 de julho de 2017

Neste Canto...


Neste canto aconchego o meu sossego.
Não me despertes da luz que circunda o
meu sopro.
Não interrompas o meu sono.
Na metáfora dos meus olhos, tudo vejo
e sinto e quero, enquanto a vida
se passeia sob a minha pele como 
é seu desejo.
Se for tarde, que arrefeça sua pressa
.
Neste momento
quero o equilíbrio do tempo nesta calma
que busco sempre em movimento.


Manuela Barroso

Julho, 2017




terça-feira, 27 de junho de 2017

Mãe

Mãe

 Branco está meu pensamento.

Escorrego nas margens do dia,
divagando à tua procura e ainda
há pouco tua luz se acendia
O teu perfume trouxe- me aqui,
a este pedaço de chão onde nasci.
O teu caminho foi peregrinação da Cruz
que erguias cada dia na oração, e inquietação
de quem sente que há outro lugar, outra luz.
 
 Mas branco…branco é meu pensamento.

Na orfandade que ficou  
levaste meu pensamento com o 
vento que te levou;
Contigo, voou também a minha infância
a lembrança das tuas mãos, minha voz
e inocência de criança.

Agora é a noite que me vigia
a  solidão que me aconselha.
e o teu leme que me guia.

Branco ficou meu pensamento

Dorme, Mãe!
Mas enquanto eu na terra caminhar
dá-me  de ti, a tua luz
refresca-me os pés
como a mãe de Jesus o fez ao pé da cruz.

23 de junho, 2017



terça-feira, 13 de junho de 2017

Nesta noite



Nesta noite com medo das estrelas
onde o vento insiste calar minha voz
penetro a bruma tentando mantê-las
no meu quarto quando falo contigo a sós.

Tento decifrar esta  ventania
através da janela que olha para mim
deixando escorrer as gotas vadias
que caem nos meus olhos e me falam assim:

Sou pinga de água doce, insípida
arrastada pela aragem vagabunda
mas quando em descanso me torno mais límpida.

Não procures o brilho nem a  vã loucura
da luz que ilumina mas logo se afunda                  
no pó  dos hipócritas... lama insegura.


Manuela Barroso, "Eu Poético"