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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sons





Meus ouvidos pousam na paisagem dos meus olhos.
Os sons longínquos, os murmúrios inaudíveis
escrevem memórias esquecidas no tempo.
Desperto com este balbuciar de vozes escritas
no inconsciente
que desenham hoje aguarelas musicais
e ecoam no espaço de mim ,
no leito da minha pauta!

Neste rosário de sons,
ouço a minha paisagem com notas difusas
e que o tempo não apagou.
Continuam numa vibração contínua,
incessante,
numa sonata, só inteiramente
decifrável por mim.

E os olhos percorrem a paisagem
que os ouvidos escreveram,
fixando-se no vazio 
à procura dos sons,
que passeiam pelo espaço,
indefinidamente...


Manuela Barroso, in “Eu PoéticoVll”

                                                                            
                                             LIVRO A FAVOR DAS CRIANÇAS DE ALEPO

                                                                     ATRAVÉS DA UNICEF                 
                                                          ( Colaboração de vários autores)


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Obrigado.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

"Cinco Lágrimas por Alepo"




 Todo o produto deste livro é entregue à Dra Madalena Marçal Grilo, Presidente da Unicef  a favor das crianças de Alepo. E SÓ. Quem estiver interessado em obter o livro deixem o pedido nos comentários , por favor


CINCO LÁGRIMAS POR ALEPO


A sombra inclina-se sobre ti, Alepo.
A noite é o teu véu.
O azul que cobria a tua beleza é o fumo do fogo
com que cada dia celebram a tua morte.
O verde e as flores dos teus jardins
sucumbiram há muito amortalhando a tua sorte.
Não te deixes morrer, Alepo.
Segura os escombros que ainda sobram
e esconde entre as frestas as crianças órfãs,
que deambulando, já nem choram.
A poeira secou-lhes os olhos e dentro de cada lágrima
o medo mirrou de tanta crueldade.
Nos umbrais desfigurados das tuas ruínas
afaga as mães que se arrastam com fome de paz e pão,
pregando os olhos moribundos nas sirenes
que se misturam com o assobio dos canhões.
Atravessas o meu silêncio como um sismo enraivecido
transformando o coração num vulcão,
lava tórrida que chora em gritos de indignação.
Choro por ti, mártir Alepo.
O teu coração já não bate porque to arrancam a toda a hora,
em cada filho, na combustão das valas, onde agora mora.
Já não te pertence o teu sol soalheiro.
Anoitecem-te com o fumo ácido dos morteiros.
Gota a gota te mirram as crianças que em ti cresciam
e que agora atravessam a poeira dos escombros
outrora parte do colo onde adormeciam.
No desnorte do teu horizonte se ergue o teu nome,
escrito com teu sangue, algures no monte.
Na Abóbada que te cobre acolhe-se a Alma de que és parte.
Na potência dos fortes, querem-te sumindo.
Resiste, Alepo.
Só a putrefacção serve aos abutres famintos.

Manuela Barroso, 2017




sábado, 28 de janeiro de 2017

Ouve-me


 De mim



Ouve-me
e sente comigo a obsessão das rosas
no rigor das pálpebras geométricas
e no fogo  plácido das cores.

 E vê,
vê o reflexo das manchas híbridas do encanto,
cingindo aos teus olhos
a sedução solene do seu manto.

 Na inocência dos botões,
fecho-me com eles.
Não quero corromper a alegria
e o fascínio de nascer

cada dia.


Manuela Barroso

domingo, 15 de janeiro de 2017

Manhã


Acordou a manhã com os recortes distantes
do cinzel dos abetos.
nem um cão vadio mastigava o orvalho,
nem o cheiro do pólen ruminava as sombras escondidas
nas portas da aurora
mas tudo se calava num mutismo vagabundo,
num amarelo corroído pelo tempo.

o vento permanecia enjaulado
em grades sinistras
em ausências indecisas.
os ecos persistentes da manhã 
insistiam acordar a alegria que longa no vale ,

ainda dormia

Manuela Barroso, Eu Poético Vll


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cai Neve

 imagem da net
Cai neve!
não digas que é mau tempo
porque
beijos de água em flocos
que pousam
tão mansamente
numa leveza dormente
traz a paz ao pensamento!
E o branco em arrepio
que enfeita a Natureza
com este ar seco e frio
e lhe empresta esta beleza,
também
é  cor de pureza.
Ah!
Não digas
que é mau tempo!
Deixa florir a neve
assim,
derretendo-se
em meu peito,
criando sulcos
em mim!
E,
deixa que as árvores pinguem
com o branco
que elas têm!
São as cores
com que se tingem!
Que se enfeitem
elas também!

  Manuela Barroso, in  "Eu Poético III"